Pertença

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Pertença

Estou neste mundo sem ter pedido para nascer
A quem, pois, pertenço?
Quando criança, papai e mamãe diziam:
“Tu és nosso filho!”
E eu me sentia aconchegado.

Mais tarde papai e mamãe partiram
E, pela primeira vez, me perguntei:
“Se, outrora ao pai e à mãe eu pertencia
A quem pertenço agora?

Mais tarde encontrei uma esposa querida,
Prometemos nos amar e,
Até o fim de nossa vida,
Um ao outro cuidar.
E voltei a me sentir guardado.

Mas, um dia, como que de soslaio,
A pergunta primeva voltou a me visitar:
“Será que, de fato, pertenço a minha esposa?
Ou, porventura, haveria ela de me pertencer?

Quando nasceu nosso filho,
Muito nos alegramos e, orgulhosos,
O apresentamos aos amigos:
“Este é nosso filho querido!”

E, quando mais tarde, nossa filha nasceu,
Com encanto e gratidão, dissemos,
“Eis nossa filha querida!”
E tornamos a festejar!

Hoje os dois filhos seguiram
O rumo de suas vidas,
Segundo o desígnio de seus corações,
Aliás, da mesma forma,
Que minha esposa e eu um dia o fizemos

Foi então que me pus a perguntar…
“Será que, de fato,
nosso filho e nossa filha
Alguma vez nos pertenceram?

Quanto aos parcos bens que fomos juntando,
Dou-me conta, de que todos eles haverei de entregar.
Espalhei algumas sementes,
Na esperança de que Deus as faça fecundar.
Um e outro cargo que consegui alcançar
Vejo que outros os estão a ocupar.
Quanto às honrarias que me fizeram
Confesso que me propiciaram satisfação.
Mas sei que, num futuro, talvez nem tão distante assim,
Delas todos se olvidarão

Assim, enquanto meus cabelos
Vão se assemelhando à cor do orvalho,
Cresce em mim a certeza
De que nesta vida
Nada me pertence

Em vista disso, Deus eterno e misterioso,
Permita-me que hoje – um pouco mais sábio –
Eu me volte a Ti e Te chame de meu Pai e Senhor.
Pois, além de saber, que nada me pertence
Aprendi que, neste mundo,
Também eu não pertenço a ninguém.

Por isso, Deus da graça e misericórdia,
Sou-te profundamente grato
Que me permites, em humildade,
Fazer minhas as palavras do Apóstolo
Que, num ato de fé e de entrega confiada,
Assim confessa:
“Se vivemos, para o Senhor vivemos
Se morremos, para o Senhor morremos.
Quer, pois, vivamos ou morramos,
Somos do Senhor”. Amém.

Lothar Carlos Hoch
Praia da Pinheira, 03/06/2011

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