Alma-1

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Alma-1

Através da Alma
nosso ser entra em sintonia
com os acordes
do Infinito

Por meio dela
nós humanos
tangenciamos
a borda das vestes
que encobrem a face
do Altíssimo

E, ainda que envoltos
pela imensidão gélida
do infinito abismal,
nos sentimos protegidos
por uma brisa leve e cálida
que aquece o âmago do nosso ser

 

Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 25/04/2013

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Água da vida

agua-2Água da Vida

Água, fonte da vida,
Sobre ti já pairava
O Espírito de Deus
No ato da criação

Em teu seio
Fomos tecidos
De forma maravilhosa
No ventre de nossa mãe

A cada dia nós, viventes,
Saciamos nossa sede
Nos mananciais de água viva
Que continuam a jorrar do chão

Por isso, Senhor, como teus cúmplices
No cuidado da criação,
Dá que cumpramos fielmente
Essa sagrada vocação

Afim de que todos juntos
Em alegria e gratidão
Entoemos a sinfonia da vida
Em palavra e ação

Por fim, Senhor, em tua graça,
Conduze-nos às fontes da água viva
Para que, imersos em teu Espírito,
Jamais voltemos a ter sede!

Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 25/04/2013

 

A verdade

A Verdade

A verdade tem muitas faces
e circunstâncias
nunca foi e jamais será
um bloco monolítico de sentenças
que, perene e imutável,
através dos séculos reluz.

Existe a minha verdade,
a tua e a que nos é comum;
temos a verdade passada
a presente e a futura.
E, enquanto a vida dura,
da verdade estou a procura.

Uma é a verdade da mente
outra a do coração.
Existe a verdade da pele,
a das vísceras e a da tradição.
A verdade pode ter a tez amarela,
ora negra, outras vezes branca.

Sua consistência
por um certo tempo perdura
e a seus seguidores seduz,
mas, à revelia
da experiência que a subjaz,
uma nova verdade se faz.

Há a verdade que escraviza
e a que gera libertação.
Assim convém valorizar
a verdade do homem, a da mulher,
a da criança e a do ancião.
Todas elas vão se depurando
No sofrimento e na paixão.

Temos a verdade pronta,
a que oprime e afronta;
aquela que se busca
e não se encontra
em meio à escuridão;
e aquela que, de súbito, desponta
na lógica do coração.

Existe a verdade do opressor
a do oprimido
a da vítima
e a do seu algoz
que, sepultadas pela história,
clamam por justiça final.

Não há um caminho único
da sua busca ansiosa:
uns a encontram nos astros
outros na oração,
existe a verdade que resulta da pesquisa
e a que é fruto da intuição.

A verdade a tudo
e a todos transcende.
Ora nos questiona,
ora nos inspira,
e outras vezes nos liberta.
Quantos por ela morrem
e quantos, para a encobrir,
torturam e matam!

A verdade é busca perene
que instiga a imaginação;
inspira poesia, teologia, filosofia,
as ciências naturais e as exatas
que, todas elas,
a vislumbram apenas em parte.

… Eis que a verdade,
talvez para nos
preservar da soberba
ou pela incapacidade
de suportá-la
prefere permanecer envolta
nas brumas do Mistério.

Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 04/10/2011

Oração da noite

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ORAÇÃO DA NOITE

Senhor, quando me deito para repousar
Envolves-me no Teu manto sagrado de paz
Para que eu descanse tranquilo e sereno

Assim entrego minha vida em Tuas mãos
Na certeza que, de forma maravilhosa,
Restabelecerás todas as minhas forças

Quando fecho meus olhos
Tu acampas ao meu redor
E mesmo que inquietações venham a me assaltar
Elas não terão poder sobre mim

Pois creio confiadamente que Teu Santo Espírito
Repousa sobre mim e sobre os que me são caros
E que nada poderá nos separar de Ti.
Amém

Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 04/04/2013

Travessia

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. . . T r a v e s s i a

Com alguma
Fantasia
Sabedoria
Alegoria

Temperada com
Ingredientes
Transcendentes
Consistentes

É possível
Num instante
Insinuante
Fundante

Ter inspirações
Ancestrais
Míticas
Filosóficas

Capazes de serem
Fonte
Horizonte
Ponte . . .
. . . Para a Travessia.

Lothar Carlos Hoch
S.L., 14/04/2015

As camélias do meu jardim

As camélias do meu jardim

Quando estive pela última vez visitando a minha mãe no interior do estado,
eu trouxe de lá algumas mudas de camélias que, cresciam próximas à casa onde nasci.
Sabendo que ela não viveria mais por muito tempo,
eu as trouxe como uma homenagem a ela que sempre cuidava tão bem das suas camélias.
Plantei-as no meu jardim, em São Leopoldo, e elas vingaram.

No rigor do inverno, época em que minhas camélias estão em flor, converso com elas e
dou-me conta de algumas coisas.
As camélias do meu jardim florescem no seu devido tempo,
tanto as vermelhas como as brancas.
Elas florescem em São Leopoldo do mesmo modo como floresciam cinqüenta anos atrás
em São Pedro do Sul.

Estou convencido de que algumas coisas nesse mundo de Deus não mudam.
Existe uma força maior que as mantém como são.
No livro de Gênesis está escrito: “Deus falou, porei nas nuvens o meu arco;
ele será um sinal da aliança entre mim e a terra” (Gen 9,3).
O arco do qual o texto fala é o arco-íris.
O povo da época via nele um sinal de que Deus mantém este mundo,
que zelará pela sua preservação, que manterá os corpos celestes no seu curso e,
assim creio, cuidará que aquilo que é verdade permaneça sendo verdade.

Dizemos que tudo muda. Efetivamente nós mudamos, os tempos mudam, a natureza
se renova, os valores mudam. E é bom e necessário que assim seja.
Mesmo assim, creio que aquilo que está por trás de tudo, o que sustenta o universo,
os valores essenciais que norteiam a conduta humana não mudam. Não podem mudar.
Se estes mudam tudo se desagrega. Alguns fundamentos precisam permanecer,
tanto para o equilíbrio do universo, quanto para o equilíbrio da sociedade.
O que é bom, o que é justo e correto não pode ser relativizado.

As camélias do meu jardim não são imunes às mudanças do tempo,
elas – como todos nós – sofrem as influências do meio ambiente.
Mas, ao preservarem sua essência de camélias vermelhas e brancas,
que florescem no seu devido tempo, tanto em São Pedro do Sul quanto em São Leopoldo
ou na longínqua Austrália, elas dão um testemunho silencioso de que há leis,
verdades e valores fundamentais que precisam permanecer e ser cultivados
ao longo de toda vida e em todos os tempos e em todos os lugares.

Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 23/09/2006

A felicidade

A felicidade

A felicidade é gota de orvalho
Que escorre límpida e cristalina
Pelas folhas tênues da primavera
E amacia os torrões endurecidos
Que se formam ao longo do tempo
Na árida travessia pelas veredas da vida

A felicidade é pura
Inocente e sem dolo
É fragmento de vida
Que brota espontânea
Dos mananciais interiores
Que permanecem virgens
Como a relva da manhã
Dos tempos primordiais

Felicidade é a fonte perene
Do brilho nos olhos da criança
E da alegria serena do ancião
Não é símbolo de ingenuidade
Senão da integridade de coração

Oxalá não se esgote jamais
Em meio às agruras e à maldade
Dos tempos atuais
A tênue fonte da felicidade
A jorrar do nosso interior

Eis que assim permanece vivo em nós
O sopro primevo
Do Espírito divino
Que pairava sobre as águas matinais.

Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 29/05/2012

A ciranda da vida

ciranda

A ciranda da vida

“Ciranda cirandinha”
a vida começa
bem muidinha
não mais q’uma promessa

“vamos todos cirandar”
aos pouquinhos
inda pequeninhos
aprendemos a nos virar

“vamos dar a meia volta”
viver em comunhão
lidar com a revolta
uma grande lição

“volta e meia vamos dar”
aprender a amar
com calma amadurecer
em sabedoria envelhecer

Lothar Carlos Hoch
Praia da Pinheira, 30.12.2014

Cicatrizes

Cicatrizes

Cicatrizes são marcas do passado
Vulcões semi-extintos
Que de tempos em tempos
Agitam-se no ventre humano
Gerando ansiedade no seio da alma

Cicatrizes resultam de contradições
Que, em meio às cinzas,
Manifestam vestígios de um fogo
Que insiste em permanecer ardendo
No recôndito do ser

Cicatrizes são dores de parto
De um sentimento persistente
Que, abafado pelo medo,
Infiltra-se, de soslaio, na alma
Para perturbar nosso coração

Cicatrizes são brasas vivas
De natureza ameaçadora
Que foram apagadas antes do tempo
E impedidas de se manifestar
Devido ao núcleo de culpa que contêm

Cicatrizes são percepções de incompletude
Que clamam por ser assumidas
Para, assim, promover a reconciliação
Do ser humano com seu passado
E, em última instância, consigo mesmo.

Lothar Carlos Hoch
Praia da Pinheira, 04/05/2013