A sabedoria

A sabedoria

A sabedoria nasce
Da vivência peregrina
Do coração humano

A sabedoria se alimenta
Da experiência que se faz
No seio da cultura

Sabedoria é obra de muitas gerações
Tanto de mentes sábias
Quanto de humildes corações

Sabedoria não é privilégio de um povo
De uma raça ou classe social
É patrimônio de toda humanidade

Eis porque a sabedoria
Não precisa ser reinventada
Em cada nova geração.

Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 27/11/2012

A tenda em que habito

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A tenda em que habito

É uma arte deveras desafiante
viver na tenda em que habito
mesmo assim sigo adiante
pois assim está escrito

Vou seguindo minha lida
No cumprimento duma missão
E por cada novo dia de vida
Quero ser grato de coração

Entrementes estou ciente
De que o ser vivente
De algumas vicissitudes
É capaz de se libertar

Todavia a sina da vida
Foi concebida assim
Que jamais serei capaz
De me ver livre de mim

Lothar Carlos Hoch
S.L., 09/09/2015

A morte

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A morte

Oh, morte!
Tu estás sempre à espreita
Seja à esquerda
Ou à minha direita

És como um visitante
não convidado
que insiste em ficar
sempre ao meu lado

Assim como há
os que temem tua chegada,
há outros que anseiam
pela tua chamada

Por isso te imploro sinceramente,
Quando o sofrimento vier me atormentar,
que seja forte a minha fé
e que eu não me ponha a lamuriar

Humildemente, também
por esta graça te peço
que, quando a minha hora chegar,
me envolvas no teu manto sagrado de paz
e que eu ouça, ao longe, o coro dos anjos a cantar.

L.C.HOCH (S.L., 30/06/2015)

A alma humana

A alma humana

A alma humana é capaz
de ser pura e cristalina
como a água que brota
dos mais altos mananciais da montanha

Todavia a alma humana
pode ser tão torpe
quanto o mercenário
que vive do tráfico
de drogas e de crianças

A alma humana tanto pode espelhar
a compaixão e o amor divinos
quanto a mais sórdida
das trapaças diabólicas

Como administrar nosso egoísmo
e conter nossos instintos mais vis?

Como cultivar o amor
o único capaz
de nos libertar da barbárie?

L.C.H.- Praia da Pinheira, 13/09/2015

O pássaro da meia-noite

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O pássaro da meia-noite

Ó pássaro sinistro
que canta à meia-noite
tragédia a anunciar…

Afasta-te de mim!
Teu canto
me impede de respirar

Vá cantar em outra freguesia!
Estás minha angústia
a despertar

Pássaro sinistro
por que insistes
em me perturbar?

Não te aninhes
em minha alma
eu preciso descansar!

… ou seria, porventura,
teu canto sinistro
o eco
de minha própria angústia
que há muito estou a afogar?

Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 20 de outubro de 2010.

O outro lado

dsc01158O outro lado

O outro lado
da lua,
assim se sabe,
é
frio
escuro
e deserto…

O outro lado
da vida,
assim se crê,
seria
felicidade
aconchego
e paz…

Daí resulta
nossa incerteza :
como apostar na vida
que fica no lado de lá…
se nós só enxergamos
o lado de cá…?

L.C.Hoch
S.L., 04/10/2014

O mistério do ser

 

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O mistério do ser

Vivo
Tanto o hoje
Quanto o passado
E o futuro

Sou um elo
Na corrente das gerações
Que me precederam
E das que haverão de me suceder…

Enfrento desafios, alegrias e pesares
Semelhantes aos que aquelas viveram
E às futuras gerações que haverão de viver

Não obstante,
Minha vida e meus desafios atuais
São distintos dos de tempos passados
E dos tempos que estão para vir

Assim,
Mesmo que estejamos unidos
Pelo mesmo destino
Meus dias
Meus sonhos
E minhas dores
São absolutamente singulares

Pois sou parte do Mistério da vida
Que tudo abarca e a tudo transcende
Dele procedo
E nele estou imerso

Eis porquê
Espero, de forma serena e confiada,
Que eu possa um dia
Repousar no meu próprio ser
Na certeza de estar bem guardado
No recôndito sagrado do Eterno Ser.

Lothar Carlos Hoch
Praia da Pinheira, 28/01/2014

A arte de poetar

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A arte de poetar

A finitude
É incapaz
De abraçar o infinito

Não obstante
O infinito, quando lhe aprouver,
É capaz de ecoar na alma humana
Desde que esta abrigue em seu seio
A sensibilidade poética
Que se inspira no transcendente

A poesia se alimenta
Do mergulho da alma finita
No seio da infinitude

Assim, a arte de poetar
Nasce nos raros momentos
Em que a sensibilidade do peregrino
Entre em sintonia com a eloquência
Do silêncio da eternidade

Eis porque
A maior virtude do poeta
É a humildade!

Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 30/11/2013